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Jedi: Fallen Order – Crítica

por Biaka Myuzu
Capa oficial do jogo "Jedi: Fallen Order"

Será esta uma boa adição à grande fandom de Star Wars?

Jedi: Fallen Order saiu em finais de 2019, e nada como começar o ano a jogar este tão aguardado jogo após a estreia de Rise of Skywalker, que encerrou a trilogia das sequelas e a saga principal de filmes de Star Wars.

Ficha técnica de Jedi: Fallen Order

Fallen Order foi lançado a 15 de novembro de 2019 pela Respawn Entertainment (que desenvolveu Titanfall) para a PS4, XBox e PC. Criado no Unreal Engine, usado e conhecido pelos seus gráficos cativantes, este jogo conta com atores reais a interpretar e dar vida às personagens que vemos no ecrã. Este jogo contou com o apoio da EA e Lucasfilm Ltd.

A história segue o nosso novo protagonista, Cal Kestis, a abandonar a sua vida pacata e escondida do Império para se erguer em prol de um bem maior. Irá ele abraçar a Força e erguer-se pelo bem dos outros?

Apreciação de Jedi: Fallen Order – *Spoilers*

Irei limitar os spoilers ao mínimo possível para não estragar a experiência do jogo, mas irei mencionar alguns factos e curiosidades, principalmente para localizar os acontecimentos do jogo na linha temporal de Star Wars.

Todas as imagens usadas são screenshots recolhidas que não fazem parte do meu walkthrough do jogo.

1. História de Fallen Order

Fallen Order começa por nos apresentar o nosso Jedi fugitivo, Cal Kestis. Na realidade, este não é um Jedi, mas sim um padawan que não teve oportunidade de terminar a sua formação. Este encontra-se em fuga devido ao lançamento recente da famosa Ordem 66, o que faz com que ele seja um dos últimos Jedi ainda vivos.

Cal Kestis e o seu fiel companheiro BD-1 na presença de uma personagem misteriosa.

Sabemos por isso que a história decorre 8 anos após a Guerra dos Clones, e 5 anos após Palpatine ter lançado a Ordem 66. A idade de Cal rondará por volta dos 17/18 anos (que ainda é uma discussão entre fãs) no tempo presente de Fallen Order, e nesse ano Luke Skywalker tem 5 anos de idade. Logo, com uma diferença de 12/13 anos, muitos poderão questionar-se porque não vemos Cal Kestis a ser dos poucos Jedi sobreviventes que poderia ajudar na linha temporal das sequelas, visto que seria apenas uns anos mais velho que Luke. Talvez próximos comics, ou até sequelas deste jogo (que muitos consideram que vai acontecer para explorar melhor as personagens apresentadas em novas aventuras) expliquem o que poderá justificar o desaparecimento deste interessante padawan.

Após toda esta contextualização, a história avança com os Inquisitores à procura de quaisquer sobreviventes da Ordem 66, estando Cal na sua lista. Após conseguir escapar graças ao salvamento de uma nave de “rebeldes”, os pilotos propõem-lhe que abandone a sua vida fugitiva e que os ajude na sua missão de procurar sobreviventes e reconstruir a Ordem Jedi. Esse será todo o objetivo do jogo, ao longo do qual vamos conhecendo novas personagens e vendo o desenvolvimento de Cal.

Alguém de muita importância é também o dróide que o acompanha, BD-1. Sempre adorei os dróides em Star Wars, e BD-1 consegue passar de uma máquina para ser visto quase como um pequeno cão que nos adota desde o início, tal como o seu dono. Ele é uma ajuda valiosa, e uma personagem muito importante.

Cal também acaba por se ligar a este pequeno robô mais do que parece ligar-se aos “adultos” à sua volta. Graças provavelmente ao trauma que sofreu em criança, Cal parece adotar uma postura mais nervosa e rígida ao pé de personagens mais velhas do que ele, parecendo ter uma personalidade um pouco infantilizada em alguns dos seus comportamentos e atitudes. Claro que também é um dos fatores que dá gosto ver a desenvolver-se ao longo do jogo e a ser capaz de se abrir com os que o rodeiam.

2. Personagens de Fallen Order

Fallen Order conta com um leque (de personagens novas) algo reduzido, mas não menos interessante. E como qualquer jogo inserido numa grande franquia, conta com personagens que já conhecemos de outros momentos de Star Wars, com cameos mais ou menos marcantes (mas que irei guardar para surpresa e reconhecimento dos fãs).

Cal Kestis (interpretado por Cameron Monaghan) é o nosso protagonista de personalidade infantil.

Greez (com Daniel Roebuck como voz) é o piloto da nave, que a trata como uma preciosidade. Com o seu mau feitio e predileção pela nave em comparação com pessoas, faz lembrar um Han Solo mais alienígena e menos engatatão.

Cere (interpretada por Debra Wilson) é a co-piloto e a guia de Cal nestas novas aventuras.

Uma das muitas interações entre Cal e Cere.

Second Sister (interpretada por Elizabeth Grullon) é uma das Inquisitoras principais na perseguição de Cal.

Merrin (interpretada por Tina Ivlev) é uma das Nightsisters que vai observar atentamente Cal enquanto este vagueia no seu planeta deserto.

3. Mecânicas de jogo

Fallen Order apresenta os típicos comandos para os movimentos e ataques com sabre de luz. Botões como o R1, R2 e L2 são usados para aplicar técnicas que consomem Força (existe também uma barra para isso), enquanto o L1 é usado para bloqueio de ataques com o sabre de luz.

O touchpad do comando serve para exibir o mapa holográfico que o BD-1 vai gerando dos planetas que visitamos, assim como indica quais os nossos objetivos. No entanto, este mapa é muito confuso. Apesar de o efeito 3D ser interessante, na maior parte das vezes é pouco claro e não exibe um caminho direto para o objetivo, ou não mostra o mapa de forma completa, se isto fizer sentido. Para quem quer dedicar-se mais a seguir a narrativa do jogo e deixar a exploração para outra altura, vê-se obrigado a ver cada pedacinho do mapa para tentar descobrir o caminho pouco claro que revela.

Ao longo do jogo estão também espalhados vários pontos de meditação. Estes servem não só para fazer um quicksave, mas também para repousar e recuperar vida que tenha sido perdida em lutas, sem o uso desnecessário de stims (que são limitadas e úteis em lutas contra bosses para uma restauração rápida de vida). É também nestes pontos que é possível ter acesso à skill tree de Cal, e assim fazer vários upgrades conforme vamos conquistando skill points através da exploração e utilização das habilidades e capacidades de luta de Cal. Aí é possível desbloquear novos combos de ataques e capacidades de sobrevivência para aumentar a resistência do protagonista.

Em relação a estes pontos de meditação, há também um aviso que vos devo deixar: lutar contra inimigos de uma área e voltar atrás para gravar o jogo faz com que a área que acabaram de limpar esteja outra vez com os mesmos inimigos. Isto é ótimo para o grinding, para quem quer obter experiência ao lutar repetidamente e obter novas habilidades, mas péssimo para quem quer apenas gravar o jogo após uma luta difícil e seguir o seu caminho. O mesmo acontece se decidirem voltar a áreas anteriormente exploradas; os inimigos fazem reset.

Aceder ao menu das opções permite fazer também alguma customização, que apenas afeta em aspetos visuais o Cal, o BD-1 e a nave. Existem também estações específicas onde se podem mudar as caraterísticas do sabre de luz, que mais uma vez parecem mudar apenas a questão visual e não afetar qualquer tipo de funcionalidade. Para os esperançosos, dá para mudar a cor do sabre de luz. No entanto, para minha própria tristeza também, isto acontece numa fase já muito avançada da história, apesar de bem inserida na mesma. As cores iniciais disponíveis são o verde e o azul (e o laranja, para quem fez pre-order), acrescentando o roxo, amarelo, branco, rosa, e outras variantes (exceto vermelho; lamentamos desiludir todos aqueles que queriam ser Sith).

Cal numa das suas lutas contra troopers desafiantes.

4. Aspeto visual de Fallen Order

Fallen Order tem cenários lindíssimos, e podemos explorar diferentes tipos de áreas através das viagens aos diferentes planetas exigidos pela história. São 5, salvo erro, que não irei revelar os nomes por questões de spoilers.

As personagens também estão bonitas e de acordo com o ambiente (principalmente possuindo os visuais de pessoas reais que as representam). No entanto, devo dizer que não gostei muito da textura dos wookies, que aparecem neste jogo com uma textura que eu considero de baixa definição. Mas poderá ser um preciosismo da minha parte.

Algo que este jogo parece gostar é o uso de slides em vários momentos. Apesar de divertido, estes também são frustrantes, principalmente quando o jogador tem de se agarrar a cordas ou outros, e falha após uma longa sequência dos mesmos, retomando desde o início do slide. Para mim, este é um momento frustrante, apesar de ser algo interessante como forma diferente de interagir com o cenário.

Algo que também devo relatar aqui é a presença de bugs neste jogo relativos ao cenário. Aparentemente é algo comum, mas no decorrer do jogo cheguei a ficar presa em paredes ou a cair do mapa. Também sinto que é necessário ajustar a sensibilidade para apanhar as cordas, porque por vezes a personagem não apanha a corda em saltos, apesar de estar desviada poucos milímetros.

5. Banda sonora e performance de Fallen Order

Os atores estão todos de parabéns pelas fantásticas performances que deram. Graças à tecnologia, Cameron Monaghan faz a sua personagem tanto com 17/18 anos como mais nova em momentos de flashback, e nada parece estranho, assim como o ator faz muito bem uma voz mais infantil para a sua personagem em mais nova. Mas todos os atores realmente trazem à vida o jogo, como agora começa a ser prática nestes jogos de aspeto realista.

Em relação à banda sonora de Fallen Order, simplesmente excelente. Mesmo para aqueles que poderão estar habituados a associar Star Wars à mestria musical de John Williams, os compositores a quem lhes foi confiada esta tarefa difícil de fazer jus à música deste artista de peso não ficaram atrás. Com novos arranjos de músicas já do reportório de Star Wars, ou as originais que foram criadas propositadamente para este jogo, tudo é coeso e bem integrado, assim como a música é bonita. Qualquer fã vai querer guardar esta playlist.

Soundtrack de Jedi: Fallen Order, contendo as músicas originais criadas para o jogo.

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