Página Inicial Literatura O LEITOR É O HERÓI: A Espada do Samurai

O LEITOR É O HERÓI: A Espada do Samurai

por Tiago Costa

A terra feudal de Hachiman está em perigo. O Xógum perde cada vez mais o controlo do território, e bandidos e bárbaros irrompem pelas fronteiras, ameaçando o povo. Tudo isto porque a Dai Katana, a Morte Cantante, a espada do Xógum, foi roubada. Somente o leitor terá a coragem necessária para enfrentar os perigos do Poço dos Demónios e recuperar a espada das garras do perverso Ikiru.

“Sword of the Samurai” foi lançado a 24 de abril de 1986, escrito por Mark Smith e Jamie Thomson, autores de “O Talismã da Morte”. Neste livro, o leitor assume a identidade de um samurai, o campeão do Xógum, ou Kensei, que parte pelas perigosas terras de Hachiman em busca da espada Morte Cantante, que fora roubada e se encontra nas mãos de Ikiru, Senhor das Sombras.

Pela primeira vez num título das Aventuras Fantásticas estamos perante um cenário completamente diferente daquilo que estamos acostumados a ver noutros livros da coleção. Apesar de a aventura se passar no mundo fantástico de Titan, Hachiman é fortemente baseada no Japão feudal, com samurais, Xóguns e muitos outros elementos do folclore nipónico. Sendo uma nação localizada no continente Khul, a atmosfera do lugar é pesada e bastante sombria e decrépita, características associadas a este continente.

“A Espada do Samurai” possui diferenças muito significativas não só no ambiente e na representação das personagens, perigos e folclore, mas também nas suas regras. Uma vez que vestimos a pele de um samurai, e mestre em artes marciais, temos à nossa disposição diversas habilidades que podemos escolher, o que vai tornar a narrativa mais diversa. O Kyujutsu é a arte de manejar o arco, que nos permite usar arco e diferentes tipos de flechas contra os nossos adversários. O Iaijutsu é a técnica do saque rápido, que faz com que seja possível disparar uma flecha logo no início do combate, ganhando logo 3 pontos de Perícia. O Karumijustu é a técnica do salto heróico, que nos permite dar saltos acrobáticos, escapando de várias situações mais facilmente. Por fim, o Ni-to-Kenjutsu é a arte do combate com duas espadas (katana e a wakisashi), que nos poderá dar a hipótese de atacar uma segunda vez no mesmo assalto.

Para além disto, uma nova pontuação entra em conjunto com as já conhecidas Perícia, Força e Sorte: a Honra. Sendo um samurai, e sendo esta história fortemente baseada no período medieval japonês, as obrigações morais são a base de tudo, e a Honra é uma pontuação a ter muito em conta. Começamos a aventura com 3 pontos de Honra, e as nossas ações aumentarão ou diminuirão essa mesma pontuação, influenciando certos pontos futuros na aventura. Caso a pontuação chegue a zero, temos de ser redirecionados para uma referência já estabelecida nas regras, que nos relata o quanto a falta de honra leva a nossa personagem a cometer seppuku (suicídio).

Estes aspetos fazem d’”A Espada do Samurai” um dos mais interessantes livros de toda a coleção. É evidente os aspetos da história e certas regras originais dos criadores terem sido inspirados na série “The Way of the Tiger” (que será também futuramente abordada nesta rubrica), graças aos elementos orientais e às referências a artes marciais. A terra de Hachiman é muito variada e mágica, contendo muitos elementos e criaturas inspirados no folclore japonês. Durante a nossa demanda pela Dai Katana podemos encontrar criaturas como Kappa, um Tatsu, um Kirin, entre muitos outros.

A arte é impressionante, e retrata muito bem tanto os elementos orientais como fantásticos. As ilustrações interiores foram desenhadas pela muito habilidosa mão de Alan Langford, enquanto a ilustração original da capa foi da responsabilidade de Peter Andrew Jones. Quando a coleção passou para as mãos da Wizard, Mel Grant deu um novo toque à ilustração da capa e não desiludiu em nenhum traço.

 

Resumindo, “A Espada do Samurai” é um jogo muito imersivo e bastante dinâmico, não só em setting mas também em regras. Toda a aventura é muito perigosa, mas também viciante, as diversas personagens são inesquecíveis e toda a fantasia e referências orientais ajudam-nos a conhecer um pouco mais acerca de uma época em que a honra e o dever eram os pilares mais fortes que constituíam um ser humano.

No próximo O LEITOR É O HERÓI regressamos a Fang, um ano depois do último passeio pel’”A Masmorra Infernal”. Escravizado pelo malvado Lord Carnuss, o leitor terá de sobreviver a mais um dédalo mortal, ainda mais perigoso que o anterior. Por isso, preparem os vossos dados, respirem fundo e estejam a postos para voltar a’”O Desafio dos Campeões”.

Related Articles

Deixa um comentário