Página Inicial Análise/Crítica O LEITOR É O HERÓI: Comando Robot

O LEITOR É O HERÓI: Comando Robot

por Tiago Costa

Thalos é uma muito perigosa terra, habitada por ferozes dinossauros que partilham o mundo com os thalianos. Para os dominar, a população thaliana usa gigantescos robôs, assim garantindo a segurança. Contudo, é na invasão dos selvagens karossianos que encontramos uma ameaça muito maior que só o leitor poderá travar.

Robot Commando foi lançado a 22 de setembro de 1986 e teve a mão do Steve Jackson americano (não confundir com o co-autor da Fighting Fantasy), que dava o seu terceiro e último contributo à coleção. Neste livro, o autor desvia-se do cenário de fantasia medieval que encontrámos em O Pântano do Escorpião e em Demónios das Profundezas e somos apresentados a um cenário completamente diferente de tudo o que já vimos ao longo da coleção e que se tornaria um dos livros com mais destaque.

Em Comando Robot, o leitor assume a identidade de um criador de dinossauros e agricultor thaliano. Em Thalos, dinossauros caminham entre os humanos, pelo que o povo usa robôs gigantes para os controlar. Um dia, presenciamos o nosso povo a sucumbir a um sono profundo, provocado pelos malévolos karossianos, inimigos de Thalos, que planeiam uma invasão liderada pelo seu líder, Minos. Sendo o único thaliano que não foi afetado, a nossa missão passa por percorrer todo o país e encontrar uma forma de impedir a invasão e salvar o nosso povo.

Antes mesmo de começarmos a aventura, conseguimos adivinhar o que nos espera apenas pela menção ao uso de robôs. A premissa é já de si muito boa, mas é na variedade de jogabilidade que este livro supera os outros dois. Para percorrermos o vasto mundo de Thalos, temos de nos servir de robôs, e a vantagem de ter todo o nosso povo a dormir é podermos levar qualquer robô que quisermos sem sofrer quaisquer consequências. Podemos pilotar muitos tipos diferentes de robôs, e cada um tem as suas características especiais, para além de uma série de pontuações específicas.

Enquanto guerreiro, as nossas pontuações de Perícia, Força e Sorte mantêm-se tal como nos restantes livros da coleção. Mas são os robôs que roubam o protagonismo nesta aventura. Sempre que encontrarmos um robô, temos a opção de trocar o que temos pelo novo ou simplesmente continuar com a máquina atual, uma vez que só podemos pilotar um robô de cada vez. Também eles têm as suas pontuações específicas, que já estarão atribuídas sempre que encontrarmos um robô: a Armadura reflete a robustez e resistência da máquina; a Velocidade determina a rapidez com que robô se pode mover, e modelos mais rápidos têm mais vantagem em combate contra mais lentos. Os robôs podem ser Lentos, Médios, Rápidos ou, no caso dos voadores, Muito Rápidos, e caso o nosso robô seja mais lento em combate, a hipótese de fuga é nula. O Bónus de Combate não existe em todos, mas uma vez que usamos a nossa própria Perícia em combate, os robôs preparados para confrontos poderão dar uma ajuda vital. Por fim, as Características Especiais ajudam a dar um pouco mais de personalidade ao robô que pilotamos. Em combate entre robôs, as regras mantêm-se as mesmas, subtraindo a pontuação de Armadura ao invés de Força.

No entanto, nada destas alterações faria sentido se não existisse um variado mundo para explorar, e Comando Robot mostra-nos uma grande variedade de lugares para visitar. Graças aos nossos robôs, temos a possibilidade de viajar livremente entre as diversas cidades de Thalos enquanto tentamos arranjar forma de travar os karossianos, e cada cidade é caricata à sua maneira. A Cidade do Conhecimento é o centro de toda a sabedoria de Thalos, a Cidade do Prazer é uma estância de férias com imensos divertimentos, a Cidade da Indústria contém fábricas e centros experimentais, entre outras localizações, variando imenso a aventura e nos dando a possibilidade de as visitar quantas vezes quisermos.

Mas não é só no uso de robôs e na liberdade de exploração que este livro se destaca. Tal como nos predecessores escritos por Steve Jackson, neste livro também temos mais do que um final bom, e podemos conduzir a nossa aventura para cada um desses finais. Poderemos focar-nos em encontrar a cura para o que aconteceu ao resto do nosso povo como poderemos tentar desafiar Minos para um combate até à morte, ou mesmo enfrentá-lo numa batalha de robôs. Toda a aventura permite-nos uma enorme variedade de eventos, mantendo um forte replay value.

David Martin entrega-nos uma surpreendente ilustração de capa que mostra um robô gigante em combate com um feroz dinossauro, prometendo épicas batalhas entre as grandes máquinas e os poderosos répteis. Por sua vez, o ilustrador Gary Mayes decidiu focar a maior parte das suas ilustrações interiores a destacar os poderosos robôs, negligenciando um pouco a geografia de Thalos e não mostrando muitos dinossauros ao longo das páginas.

Resumindo, Comando Robot é um excelente livro, e um dos melhores da série, assim como talvez o melhor do Steve Jackson americano. A liberdade de exploração é grande, e algo pouco comum no universo das Aventuras Fantásticas, e a possibilidade de conseguirmos diferentes desfechos faz com que queiramos voltar a este livro e tentar caminhos diferentes e mesmo experimentar todos os robôs disponíveis na aventura. Um livro muito bom e altamente recomendável.

No próximo O LEITOR É O HERÓI viajaremos até Neuburg, no continente de Khul, onde um mal pérfido contaminou o castelo e colocou em perigo as gentes da cidade e o barão Tholdur. Por isso, preparem os vossos dados e reúnam toda a força de vontade que conseguirem para enfrentar os horrores d’O Castelo dos Pesadelos.

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