Página Inicial Literatura O LEITOR É O HERÓI: Demónios das Profundezas

O LEITOR É O HERÓI: Demónios das Profundezas

por Tiago Costa

Atacado pelo barco pirata Troll, o navio mercante Sunfish é rapidamente afundado, e a sua tripulação chacinada. Somente o leitor, o único sobrevivente, foi capturado pelos homens do malvado Capitão Bloodaxe e mandado borda fora para o fundo do mar. Contudo, o que o espera nas profundezas não é a morte por afogamento, mas algo mais mágico e ao mesmo tempo mortífero…

Demons of the Deep foi lançado a 30 de janeiro de 1986 e foi escrito mais uma vez pelo Steve Jackson americano. Neste livro, interpretamos um tripulante do navio mercante Sunfish que, pouco depois de ter partido do Porto Blacksand, é atacado pelo navio pirata Troll, comandado pelo Capitão Bloodaxe. Apesar de combatermos bravamente, não conseguimos impedir que a tripulação seja morta e que sejamos capturados pelo sádico capitão. Então, com um sentido de humor retorcido e malvado, o capitão atira-nos borda fora, como recompensa por nos termos debatido como heróis.

A aventura tem então início, connosco a mergulhar profundamente no oceano e a aterrarmos no pátio de uma magnífica cidade submersa, chamada Atlantis. Descobrimos então que, ao aterrarmos no meio de uma estrela de cinco pontas com poderes mágicos que nos confere guelras, permitindo-nos respirar debaixo de água.

Este é um livro muito curioso. Pela primeira (e única) vez num livro das Aventuras Fantásticas, participamos numa aventura subaquática, no qual exploramos diferentes ambientes e interagimos com personagens e criaturas diferentes. Sereias, tritões, dragões marinhos e outras variedades de seres das profundezas podem ser encontrados ao longo da aventura, que poderão constituir ajudas vitais ou perigos mortíferos.

Este não é um livro muito variado em termos de regras, embora oportunidades de diferentes dinâmicas não faltassem. Somente as descrições e as ilustrações nos ajudam a lembrar que estamos numa aventura subaquática, ou facilmente nos esqueceríamos de onde estávamos. Não há nenhuma regra diferente que se adapte a um ambiente tão adverso àquele que estamos mais habituados, ou um sistema de tempo que nos faça gerir as nossas ações com maior cuidado (uma vez que os poderes conferidos pela estrela de cinco pontas apenas duram até ao pôr do sol). Ao contrário do grande replay value que O Pântano do Escorpião tem, esta segunda aventura de Steve Jackson é demasiado linear.

Contudo, isso não quer dizer que esta aventura não tenha os seus pontos fortes. As criaturas que combatemos são mortíferas, e algumas personagens que encontramos, como o feiticeiro Greylock ou o Peixe-Espada Cyrano, são bastante interessantes e nos ajudam imenso. O nosso objetivo, para além de sobreviver em Atlantis, é o de encontrar Bloodaxe e vingarmo-nos pelo que ele fez no início da história, mas isso significaria um ataque suicida sem a devida preparação. Por isso, durante a aventura, teremos de reunir o máximo de Pérolas Negras que conseguirmos porque nos serão vitais para conseguirmos concluir a aventura com êxito.

Demónios das Profundezas tem ilustrações bastante interessantes, desenhadas pela mão de Bob Harvey. A representação do ambiente e das diversas criaturas e personagens está muito bem conseguida, com traços bem delineados e uma grande atenção ao pormenor. A capa, por sua vez, esteve ao cuidado de Les Edwards, que experimentou uma abordagem mais realista, mostrando uma criatura demoníaca ossuda a emergir de um abismo no fundo do mar, como que representando o maior obstáculo para o nosso herói. Infelizmente, tal criatura não aparece em nenhum ponto da aventura.

Resumindo, este é um livro interessante mas dificilmente um dos mais apreciados. A aventura e o setting são originais e as personagens e criaturas dão um ar diferente a um tema que se foi tornando cada vez mais genérico ao longo da coleção. Contudo, devido à falta de uma maior variedade no modo de jogabilidade, este livro rapidamente cai no esquecimento. Steve Jackson viria a escrever outro livro na coleção, que viria a implementar uma mecânica mais virada para o que acontece n’O Pântano do Escorpião, mas desse livro falaremos noutra altura.

É altura de fazer uma pequena pausa na nossa incursão pelo mundo de Titan e pelas Aventuras Fantásticas. Esta coleção pode ser das mais conhecidas e lidas em todo o mundo, mas outras séries de gamebooks têm surgido ao longo dos anos, também com as suas histórias e regras, e também eles merecem ser referenciados. Por isso, no próximo O LEITOR É O HERÓI abordaremos não um mas dois gamebooks que foram inspirados numa das maiores séries de manga e anime da atualidade. Por isso, preparem o vosso equipamento e lembrem-se bem do vosso treino, pois iremos tomar as rédeas da história em Attack on Titan Adventure.

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