Página Inicial Literatura O LEITOR É O HERÓI: Máscaras de Destruição

O LEITOR É O HERÓI: Máscaras de Destruição

por Tiago Costa

Nos diabólicos cincos picos de Krill Garnash, a malvada feiticeira Morgana conjura um plano maquiavélico para libertar doze poderosos golems que estão equipados com máscaras mágicas que lhes conferem poder sobre todas as coisas. Somente o leitor terá a coragem necessária para empreender uma demanda repleta de perigos e traições e impedir o surgimento das Máscaras de Destruição.

Masks of Mayhem foi publicado a 30 de outubro de 1986, escrito por Robin Waterfield, regressando à coleção depois da sua estreia em O Planeta Rebelde. Nesta aventura, ao contrário do seu predecessor, que nos introduziu a um muito interessante épico espacial, pisamos novamente o solo de Titan, desta vez fugindo da já muito conhecida Allansia para percorrer as perigosas terras de Khul. Aqui, o leitor assume o papel de soberano do próspero reino de Arion. Apesar de o reino se encontrar numa era de paz, depressa uma ameaça de norte chega-te aos ouvidos.

Convocado pelo feiticeiro da corte Ifor Tynin (ou Euquar Ental na versão portuguesa), é-nos revelado que a feiticeira Morgana (não confundir com a das lendas arturianas, embora possa ter havido alguma inspiração na criação da personagem) pretende espalhar doze golems pelo mundo, todos eles equipados com Máscaras de Destruição, que lhes conferem poder sobre todas as coisas e os tornam invencíveis. Cabe-nos empreender numa longa e perigosa jornada até Krill Garnash e derrotá-la antes que o décimo-segundo golem seja completo.

E é aqui que começa uma das maiores e mais emocionantes demandas de toda a coleção. Não é a primeira aventura que nos coloca numa jornada repleta de perigos, mas este livro consegue balancear bem a componente de aventura com a de história. O caminho pode ser variado, e as localizações são misteriosas, muitas vezes desertas, escondendo perigos em qualquer esquina. A primeira parte da nossa busca leva-nos ao Vale Abandonado, governado pelo bem-disposto e justo Hever, que possui um corno que, quando soprado, causa terror no coração de qualquer criatura do Mal. Mas obter tal artefacto não será tarefa simples. Depois, somos confrontados pela vasta Planície de Pikestaff, onde dias de caminhada nos separam do objetivo final.

Máscaras de Destruição é um muito imaginativo e atmosférico épico que nos acompanha do início ao fim da aventura. Mais uma vez, Robin Waterfield nos encanta com uma aventura rica e uma história soberba que nos cativa e nos leva a fazer todos os possíveis para completar a missão com sucesso. Tal como no seu predecessor, é necessário recolher informações e objetos de extrema importância se quisermos derrotar Morgana e desvendar a conspiração que atenta contra a nossa vida desde o início. A cada perigo que enfrentamos, a cada referência que saltamos, as evidências do verdadeiro plano da feiticeira vão sendo cada vez mais nítidas, até que nos apercebemos que podemos estar a nos encaminhar para uma armadilha.

No entanto, tal como no seu predecessor, o ponto mais forte da aventura está na sua jornada e não na conclusão. Caso consigamos impedir Morgana de levar avante os seus intentos, somos confrontados com um muito anti-climático final que nos deixa um pouco desiludidos; talvez o mais anti-climático de toda a coleção. Mesmo assim, é apenas um aspeto negativo entre os muitos pontos positivos que nos acompanham ao longo do livro.

John Sibbik estreia-se na coleção, apresentando uma ilustração de capa impressionante, mostrando um dos muito temidos golems a aproximar-se perigosamente do leitor. Por sua vez, Russ Nicholson apresenta-nos uma arte interior mais uma vez impressionante, com um enorme detalhe nas paisagens, personagens e criaturas, oferecendo-nos um vislumbre fiel das terras de Khul e das suas paisagens.

Resumindo, Máscaras de Destruição é um excelente título da coleção e uma prova em como Waterfield consegue criar uma história de fantasia medieval tão boa como de ficção científica. A aventura é emocionante, as personagens são interessantes, as ilustrações são muito bem detalhadas e toda a descrição das terras para além da cidade de Arion invoca-nos um sentimento de alerta, mistério e vontade de explorar todos os recantos daquele mundo fantástico.

No próximo O LEITOR É O HERÓI sairemos de Titan para entrar num novo mundo onde dinossauros e robôs gigantes convivem num ambiente distópico, enquanto impedimos uma invasão de selvagens na nossa nação. Por isso, preparem os vossos dados, subam para o vosso robô e fiquem a postos para explorar as muitas cidades de Thalos em Comando Robot.

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