Página Inicial Análise/Crítica O LEITOR É O HERÓI: O Castelo dos Pesadelos

O LEITOR É O HERÓI: O Castelo dos Pesadelos

por Tiago Costa

Na outrora pacata cidade de Neuburg estranhos acontecimentos têm abalado o seu povo e colocado o Barão Tholdur sob um maléfico encantamento. Somente um valoroso guerreiro terá a coragem necessária para penetrar nas profundezas do Castelo dos Pesadelos e resgatar o seu velho amigo de batalha das garras de um pérfido feiticeiro.

Beneath Nightmare Castle” foi lançado a 26 de fevereiro de 1987, escrito por Peter Darvill-Evans. Neste livro, o leitor encontra-se prestes a visitar a cidade de Neuburg e o Barão Tholdur, governador do grande castelo e grande amigo, quando se vê apanhado numa armadilha. É então que logo no início da aventura somos feitos prisioneiros, e nesse momento nos apercebemos de que algo está errado. Assim que conseguimos fugir da prisão, encontramos uma cidade opressiva, com sulistas ameaçadores a patrulhar as ruas e uma enorme pobreza que torna até crianças em assassinos. Explorar a cidade à noite é proibido, mas não é necessário fazê-lo para que nos apercebamos do horror que se apoderou de Neuburg.

Toda a atmosfera da cidade é pesada, e tenta preparar-nos para o que possamos encontrar quando inevitavelmente entrarmos no titular castelo. Contudo, apesar de todos os horrores que encontramos nas ruas, isso é apenas uma pequena parte daquilo que nos espera quando/se entrarmos na famigerada fortaleza.

Este não é um livro fácil de jogar, e não apenas pela atmosfera que a sua história apresenta. É muito fácil perder nesta aventura, mesmo nos momentos iniciais, coisa que normalmente não acontece na maioria dos livros desta coleção. É muito fácil escolher o caminho errado e levar a nossa personagem a uma morte certa, e muitos testes de Sorte falhados levam a um final súbito e muitas vezes desagradável.

Para além dos atributos do costume, neste livro é apresentada uma nova pontuação: Força de Vontade. Desempenha uma função similar ao atributo de Sorte, sendo determinada da mesma forma e cujos testes levam a uma dedução de um ponto cada, e é uma excelente adição, tendo em conta o fator horror que abunda nesta aventura. Este atributo ajuda-nos a medir a nossa sanidade à medida que vamos encontrando os diversos horrores que infestam o castelo, e quantos mais testes de Força de Vontade fizermos, menor é a nossa hipótese de mantermos essa sanidade.

Para além disso, existem testes bastante difíceis que envolvem complicadas e numerosas rolagens de dados, e cujo sucesso não é de todo garantido. No entanto, temos bastantes ajudas no que toca a itens e armas que nos poderão auxiliar em combates. Um machado que encontramos a meio da aventura transforma-nos num maníaco que tem sempre de optar pelo combate sem a possibilidade de fuga, o lendário Tridente de Skarlos proporciona-nos uma ajuda preciosa contra o vilão final, que possui pontuações bastante elevadas de Perícia e Força, ao contrário da maior parte dos restantes inimigos. Isto ajuda a criar um bom equilíbrio de dificuldade e leva o leitor a testar diversas formas de atravessar o castelo, procurando aquela que o faz sentir mais à vontade.

Terry Oakes regressa para dar um toque atmosférico ao setting com uma arte de capa que capta a essência dos “pesadelos” existentes no livro. A imagem de uma donzela de ferro que nos ataca numa noite de luar enquanto o titular castelo se planta no fundo da paisagem, sombrio e misterioso, apesar de nunca acontecer durante a aventura, ajuda a preparar o leitor para o que aí vem, e consegue-o com sucesso. Por sua vez, a arte interior de Dave Carson alia-se às descrições mórbidas que Peter Darvill-Evans faz dos locais e personagens que vamos encontrando, criando uma combinação horrorífica que nos deixa perturbados. Uma das ilustrações de Carson foi mesmo banida, por ser considerada demasiado perturbadora para o público-alvo da altura.

O Castelo dos Pesadelos” é um livro que merece um maior reconhecimento, mas que perde muito por pertencer a uma geração mais tardia em que diferentes autores, narrativas e modos de jogabilidade eram introduzidos na coleção. A história é interessante, imersiva e misteriosa, o gameplay é desafiante, mas equilibrado, as ilustrações e o setting são atmosféricos e toda a experiência é tensa mas muito interessante. Um livro não recomendado aos facilmente impressionáveis.

No próximo O LEITOR É O HERÓI regressaremos a Allansia para travar um mal milenar que regressa das entranhas do mundo de Titan para espalhar morte e destruição. Por isso, preparem os vossos dados e reúnam os vossos amigos para uma epopeia épica em busca d’”A Cripta da Feitiçaria“.

Related Articles

Deixa um comentário