Página Inicial Literatura O LEITOR É O HERÓI: O Desafio dos Campeões

O LEITOR É O HERÓI: O Desafio dos Campeões

por Tiago Costa

Finalmente! Um ano depois das provações vividas no dédalo mortal de Fang, eis que o Barão Sukumvit redesenhou por completo a sua masmorra com novos perigos, monstros e desafios. Com a promessa de um “passeio” mais mortífero que o anterior, será preciso mais do que coragem para sobreviver a este novo Desafio dos Campeões.

Trial of Champions foi lançado a 26 de junho de 1986, escrito por Ian Livingstone, continuando a história que começara com Deathtrap Dungeon e fazendo deste o segundo livro de uma trilogia. Nesta nova aventura, o leitor é um novo competidor que irá tentar a sua sorte no novo labirinto mortal da cidade de Fang, embora as suas motivações sejam completamente diferentes das do protagonista da aventura anterior.

Neste livro, o leitor é um prisioneiro capturado por um grupo de bandidos e levado para a Ilha do Sangue, onde é feito escravo de Lord Carnuss, que é revelado como sendo irmão do Barão Sukumvit. Este ano, Carnuss pretende enviar um dos seus escravos lutadores para a masmorra de Fang e fazer com que ele saia vitorioso para poder humilhar o Barão. Então, logo desde o início, somos confrontados com uma série de provas e lutas de gladiadores na ilha, tentando ser o único escravo vivo que irá enfrentar os perigos do labirinto mortal.

Esta primeira parte da aventura é um dos pontos mais altos do livro, pois evita uma repetição da fórmula já usada na prequela. Apesar de sermos obrigados a competir contra os restantes escravos (e até mesmo lutar até à morte com alguns deles), caso consigamos sair vitoriosos, o último escravo implora-nos que os vinguemos e façamos Carnuss pagar pela sua maldade. Somente este momento torna as motivações da nossa personagem mais pessoais e dá-nos um pouco mais de personalidade e um objetivo mais altruísta, que não seja somente o prémio em dinheiro.

Tirando o nosso novo objetivo, o resto do livro é um regresso ao labirinto mortal. Desta vez, devido à limitação das 400 referências e dos momentos na Ilha do Sangue, o passeio é mais curto, mas não menos desafiante, e desta vez teremos de procurar com mais afinco, pois o número de objetos necessários é superior, assim como as informações preciosas sobre como os usar corretamente. A nível de desafio, encontra-se bem equilibrado, mas as personagens que encontramos não são tão memoráveis como as d’A Masmorra Infernal, e a passagem da Ilha do Sangue para a masmorra de Fang acontece na mesma referência, parecendo uma mudança demasiado rápida.

O Desafio dos Campeões tem boas ilustrações, embora não tão memoráveis ou detalhadas como as do seu predecessor. Desta vez, Brian Williams teve o cuidado de contribuir com ilustrações tanto no interior como na capa, na sua única contribuição para a coleção original. Quando a série passou para as mãos da Wizard, o artista Martin McKenna deu uma nova imagem exterior ao livro, com a ilustração de um dos inimigos mais desafiantes da aventura.

Concluindo, O Desafio dos Campeões não é um mau livro, mas não consegue superar a prequela. Há no entanto uma diferença na história, que cria uma maior profundidade entre as diversas personagens, mas a experiência em si não nos deixa com muitas recordações. A motivação do nosso protagonista, apesar de nobre, não tem grande peso na aventura, só sendo lembrada quando saimos vitoriosos do labirinto e decidimos confrontar Lord Carnuss. O desafio é um pouco mais complicado, embora apenas no que toca à procura dos objetos necessários e não tanto em questão de confrontos ou armadilhas, mas caso consigamos ultrapassar todas as provações e vingar os nossos antigos companheiros escravos, somos bem recompensados com um final satisfatório que levará a um terceiro volume que será abordado no futuro.

No próximo O LEITOR É O HERÓI voltamos a fazer uma pausa na nossa incursão por Titan para entrarmos no espírito natalício, com um gamebook português que conta com uma personagem muito bem conhecida nesta época pela sua presença em anúncios de Natal e por ser mais recentemente o rosto da Missão Sorriso. Por isso, preparem-se para uma nova aventura com Leopoldina e a Ordem das Asas.

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