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O LEITOR É O HERÓI: Os Círculos de Kether

por Tiago Costa

Até agora, as tentativas de pôr fim aos círculos de tráfico de droga de Kether fracassaram. Contudo, a Federação Espacial está disposta a enviar um agente especial na perigosa missão de descobrir e desmantelar Os Círculos de Kether.

The Rings of Kether foi lançado a 1 de maio de 1985 e escrito por Andrew Chapman, também autor d’O Assassino do Espaço. Regressando ao tema de ficção científica, neste livro, o leitor assume a identidade de um agente da brigada antidroga destacado pela Federação Espacial para a missão de viajar até ao planeta Kether e desmantelar de uma vez por todas os círculos de tráfico de Satophil-D, uma droga ilegal.

Mais uma vez, Andrew Chapman apresenta-nos um setting espacial, embora com algumas surpresas mais agradáveis que o seu livro anterior. Desta vez, não estamos limitados a um caminho linear por uma nave espacial, mas sim por um planeta, o que oferece uma maior variedade de exploração, aumentando o replay value. Sendo esta uma aventura muito mais focada em investigação, é comum haver bastante diálogo ao longo das diversas referências, e a nossa personagem é capaz de ter o maior número de falas que qualquer protagonista das Aventuras Fantásticas. Por um lado, isso acrescenta um pouco mais de personalidade à nossa personagem (fazendo com que este livro não fique tão esquecido no meio da coleção), mas por outro, impede-nos de assumir a personagem como gostaríamos.

Kether é um planeta muito perigoso. Há criminosos, corrupção, muitos negócios ilícitos, e não demora muito até encontrarmos pistas das atividades de tráfico de Satophil-D. Como referido antes, a liberdade de exploração é maior, oferecendo-nos caminhos diversos e várias formas de completar a aventura com sucesso. Seja derrotando o cabecilha da organização, seja rebentando com o asteróide onde toda a operação é feita, as possibilidades de sucesso trazem uma grande satisfação e fazem-nos desejar recomeçar a aventura e experimentar outro caminho.

As regras são também ligeiramente diferentes daquilo que as Aventuras Fantásticas nos habituaram. As pontuações comuns mantêm-se, mas desta vez uma nova pontuação é adicionada, Escudos. Durante a aventura, poderão haver combates entre naves, e quando tal acontece, as regras permitem-nos atacar com Phasers ou Mísseis Inteligentes (estes últimos que possuímos em número muito limitado), e o combate segue de uma forma muito parecida com as regras corpo-a-corpo. Da mesma forma, também poderão haver combates entre personagens mas apenas com o uso de phasers.

Não há provisões nesta aventura. Em vez disso, temos à nossa disposição Comprimidos Revigorantes que nos restituem 6 pontos de Força sempre que precisarmos de usar (exceto em combate, obviamente). Para além disso, somos presenteados no início com 5000 copeques (a moeda intergalática) que poderão ser usados em diversas alturas, como alugar naves para explorar diferentes partes do planeta.

A arte deste livro não é das melhores, mas consegue compensar na maioria das vezes. A capa, desenhada por Terry Oakes, entrega-nos um épico espacial muito interessante, mostrando uma ameaçadora figura forte que nos observa. Esta ilustração seria o ponto de partida para que Oakes pudesse desenhar as capas de outros títulos da coleção. A arte interior, desenhada por Nik Spender, contudo, apesar de impressionar bastante ao nível de caracterização de personagens, por vezes entrega-nos cenários espaciais demasiado aborrecidos.

Os Círculos de Kether pode ser um livro diferente da maioria, mas peca pelas mesmas razões que tornaram o seu antecessor um dos menos apreciados da coleção. Apesar de se notar um maior empenho na exploração, história e interação entre personagens, ainda não há uma base bem sólida em que nos possamos apoiar neste universo criado por Chapman. Não há detalhe no setting, na cultura do planeta, na história da Federação Espacial, como se fosse algo que já se esperasse o leitor conhecer. Não tem o espírito de diversidade e detalhe que O Planeta Rebelde tem, e isso é de lamentar. Contudo, há uma melhoria em comparação com o seu predecessor, e os caminhos alternativos e a personalidade jocosa e divertida da nossa personagem torna a experiência menos sofrível.

No próximo O LEITOR É O HERÓI iremos desviar-nos dos gamebooks e entrar num território de interatividade mais visual, com a análise a um recente filme interativo da Netflix que tem sido um enorme sucesso, e quem sabe uma porta aberta para um novo género de entretenimento. Por isso, preparem os vossos comandos, sentem-se confortavelmente e estejam a postos para enveredar pelos caminhos alternativos de Black Mirror: Bandersnatch.

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