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OLHAR MUSICAL – É Given musicalmente bom?

por Biaka Myuzu
Capa oficial do anime Given

Para quem poderá estar a par desta temporada de anime, Given lançou o seu último episódio na passada sexta feira.

Apesar de ser um anime que aborda instrumentos e estilos musicais um pouco fora da minha área, irei deixar alguns pareceres gerais acerca do mesmo.

Ficha técnica de Given

Given é uma adaptação do manga do mesmo nome, resultante num anime de 11 episódios. Feito pelos estúdios Lerche (Assassination Classroom, Danganronpa, Scum’s Wish) e tendo como produtores a Aniplex, entre muitos outros, este é um anime pertencente aos géneros de música, romance, drama, slice of life e shounen ai (amor/relação entre rapazes).

Um filme de Given foi já anunciado para 2020, em princípio.

A história segue Uenoyama, um guitarrista numa banda que encontra um rapaz adormecido no seu local preferido para descansar na escola, agarrado a uma guitarra. Após uma breve conversa, o rapaz fica encantado com o conhecimento musical de Uenoyama e tenta convencê-lo a dar-lhe aulas. A partir daí, Uenoyama começa a introduzi-lo lentamente no mundo das bandas e concertos.

Performance musical em Given

Aspeto visual

Given não tem qualquer quebra no aspeto visual. A arte em geral é muito agradável, assim como a animação, e quando esta passa para os instrumentos não parece falhar.

Arte oficial do manga Given

As mãos movem-se de acordo com aquilo que escutamos, e o efeito visual fica coerente e bem executado. Apenas desgostei da animação do episódio 9, onde podemos ver a banda em palco, e vemos que os membros à distância parecem robôs CGI, apesar de esta animação ter sido usada para ser o mais fiel possível à performance.

Aspeto auditivo

Given dá-nos boa música. Sejam os pequenos momentos de solos quando os membros ainda se estão a conhecer, os pequenos passos de aprendizagem, o momento em que finalmente podemos ouvir a primeira música composta em conjunto, a qualidade musical está no topo e cativa o ouvinte.

Arrisco-me a dizer que vão querer adicionar esta música original à vossa playlist.

“Mafuyu’s Song”, a música composta por Uenoyama com base numa melodia presa na mente de Mafuyu e letra original do último.

No entanto, tenho de dizer que um dos momentos que me deixou a olhar para o ecrã enquanto via Given foi, sem dúvida, a primeira vez que Mafuyu “cantou”. Uenoyama pergunta-lhe se há alguma música de que ele goste, e Mafuyu tenta cantarolar uma melodia que se recorda (que irá resultar na linha principal do refrão da música anterior). Apesar de no anime retratar a forma como Uenoyama fica emocionado a ouvir a voz de Mafuyu, porque canta como se fosse algo do outro mundo (reação reproduzida por todas as personagens que têm oportunidade de o ouvir), eu apenas quis rir-me do que ouvi. Não porque estivesse muito mal cantado ou desafinado, mas porque sem dúvida seria uma voz que iria escutar não como sendo fantástica, mas sim como sendo apenas alguém que pelo menos não canta pessimamente.

Contudo, Mafuyu revela uma boa voz quando faz o seu solo como vocalista da banda, o que compensou esses momentos de perplexidade e incompreensão.

Mesmo fora do contexto das próprias interações musicais das personagens, a música não deixa de ser interessante. Gosto muito da opening e da ending, e a banda sonora, apesar de também um pouco cliché em alguns momentos, não deixa de acompanhar bem todos os cenários e contextos que vão sendo apresentados.

Outros aspetos musicais

Given também explora alguns conceitos fora da questão da performance em público.

As dificuldades de começar a aprender um instrumento sem qualquer base (apesar de Mafuyu aprender extraordinariamente rápido), ensinar conceitos tão óbvios como a afinação frequente de um instrumento, principalmente quando as cordas foram mudadas recentemente. Ensinar os acordes, que é uma das vertentes principais na guitarra, e começar a ganhar calos devido à fricção dos dedos nas cordas de aço, são tudo boas temáticas que são abordadas, assim como a importância de promover a banda e a música que faz para poder obter fama e concertos (questão da auto-promoção dos músicos).

Também para todos os fãs músicos, é possível ver marcas bem reconhecíveis, seja na forma de cordas e outros equipamentos adicionais, seja em marcas como Gibson.

Um dos primeiros momentos em que Mafuyu tem a oportunidade de ouvir a banda de Uenoyama a improvisar.

Gostei do momento em que Mafuyu parte uma corda e as pessoas à volta dele reagem como se fosse um drama, e logo a seguir o Uenoyama sai para comprar novas cordas e refletir porque tinha reagido como se fosse o fim do mundo quando bastava trocá-las. Achei que foi um bom uso para um momento dramático e emocional, ao mesmo tempo que retrata os receios de muitos músicos iniciantes. Com a experiência que neste momento tenho, partir cordas já faz parte do dia a dia (por assim dizer), mas lembro-me que me deixava muito abalada nos meus primeiros anos de instrumento. Mesmo agora, ainda me dá um aperto no coração.

Uma coisa que me questiono se será mesmo necessária é a mudança de todas as cordas quando uma se parte. Em Given podemos ver isto a acontecer mais do que uma vez. No violino, posso afirmar que apenas se muda a corda partida ou em mau estado, e apenas em casos excecionais (em que compramos um conjunto de qualidade superior e as cordas que possuímos já se encontram muito gastas) é que mudamos o conjunto inteiro. No caso da guitarra (e especificamente da guitarra elétrica), não posso comentar qual será a prática habitual, mas achei estes momentos estranhos e curiosos.

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