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OLHAR MUSICAL – É Kiniro no Corda musicalmente bom?

por Biaka Myuzu
Capa ofical de Kiniro no Corda: Primo Passo

Neste artigo irei analisar Kiniro no Corda: Primo Passo e Secondo Passo.

Existe ainda um outro anime, Kiniro no Corda: Blue Sky, que envolve outras personagens e que ainda não tive oportunidade de ver, que poderá ficar para uma próxima análise. Este anime saiu uns anos depois, com uma história diferente, apesar de manter o conteúdo musical.

Ficha Técnica de Kiniro no Corda

Kiniro no Corda, também conhecido como La Corda D’Oro, é um anime de apenas uma temporada completa (Primo Passo), com dois specials: Primo Passo – Hitonatsu no Encore, também classificado como o “episódio especial 26“, e o Secondo Passo, que tem apenas 2 episódios.

Capa oficial de Kiniro no Corda: Secondo Passo, que parece incompleto devido à apresentação de novas personagens que não são desenvolvidas e final aberto

A primeira temporada tem 25 episódios, e é baseado no jogo otome do mesmo nome. Produzido pela Aniplex, juntamente com a Hakusensha, a Koei e a TYO, o anime estreou em outubro de 2006, e pertence aos géneros de romance, comédia, drama e música.

A história segue Hino Kahoko, que encontra Lili, uma fada da música, que a escolhe para ser a proprietária de um violino mágico. A partir daí, Hino passa a fazer parte do concurso de música que está a decorrer na escola, e conhece os restantes participantes, envolvendo-se e conhecendo melhor o mundo competitivo da música.

Performance musical em Kiniro no Corda

Aspeto visual

Infelizmente, o aspeto visual é talvez uma das piores partes de Kiniro no Corda, mas que infelizmente se repete em muitos outros que tentam reproduzir o tocar de instrumentos musicais, principalmente de instrumentos de corda e arco.

A animação é básica. Limita-se a ser uma sequência (no caso do violino) do arco para cima e arco para baixo. Porque isto simplifica imenso a tarefa dos artistas e dos animadores: basta apenas “duas imagens” que serão colocadas uma à frente da outra para criar o movimento base (obviamente que não é assim tão simples; esta é apenas uma forma de referir ao movimento básico captado).

Assim, as personagens mexem-se independentemente daquilo que estão a tocar; a animação é básica, embelezada no seu cenário geral para poder estar de acordo com o sentimento associado à peça que está a ser tocada, mas olhar ou prestar atenção ao instrumentista que está a ser retratado chega quase a ser ridículo, porque o movimento dele nada tem a ver com o que escutamos.

E claro, isto não se aplica só ao violino ou ao violoncelo. Podemos ver isto acontecer nos mais diversos instrumentos, desde o piano, ao clarinete, flauta transversal e trompete, onde vemos dedos percorrer as teclas/chaves/orifícios/pistões numa ordem ritmada e repetitiva que em nada tem a ver, mesmo para o ouvido menos treinado, com aquilo que está a escutar.

Mas, também, que esperar de um anime onde as personagens sofrem de “Same-face Syndrome“?

Tzigane, interpretada por Tsukimori Len. Talvez um dos melhores momentos musicais, tanto a nível de qualidade musical como de animação (apesar de mesmo assim se verificarem falhas pontuais de sincronização).

Aspeto auditivo

Kiniro no Corda também não é um anime que eu diga que tenha uma qualidade musical excelente.

Em alguns momentos, as performances dos músicos são prejudicadas por gravações com pouca qualidade, mas também os há em que a própria performance não tem grande qualidade.

Apesar de por vezes possuir algumas peças interessantes, as peças apresentadas são do reportório canon e bastante conhecido no seu geral, o que não permite ao espectador acrescentar muito conhecimento musical.

Neste Prelude, das Cello Suites de J.S.Bach, talvez devido ao efeito de reverb (eco), o som do violoncelo soa sem consistência nas suas mudanças de corda. O tempo também soa demasiado rápido, com algumas variações rítmicas que não deviam acontecer.

Outros aspetos

Uma das coisas que me desagrada em Kiniro no Corda é a premissa de um violino mágico. Kahoko não tem qualquer conhecimento musical: Lili simplesmente atribui-lhe este instrumento mágico e, desde que a Kahoko conheça a peça e saiba como quer que ela soe, basta ter o violino nas mãos que a música sairá tal como ela a imagina. Acho que todos os músicos desejavam que fosse assim tão simples.

Claro que toda esta história acaba por ser redimida, com a pressão e o desejo de ser melhor a caírem sobre Kahoko quando se apercebe do nível da competição, a verdade esmagadora de ela ser uma fraude… Ao partir uma corda num momento de stress e destruir assim as propriedades mágicas do violino, Kahoko, que ama verdadeiramente a música, decide pegar no violino e aprendê-lo seriamente, o que sem dúvida melhora imenso a história.

Apesar de isto ser baseado num dating sim, sendo por isso a interação com as personagens masculinas o foco (e posso deixar o comentário de que gosto muito de ver a Hino com o Tsukimori Len), o anime não deixa de levantar questões bastante curiosas relacionadas com a música, como a pressão de participar num concurso, problemas entre colegas e mudanças de última hora, o que acabam por ser pontos bastante interessantes.

Cena retirada do anime Kiniro no Corda, em que Hino Kahoko e Tsukimori Len fazem um dueto com a peça Ave Maria, de Gounod. Um dos momentos que mais gostei de ver.

No final de cada episódio também havia sempre uma curiosidade musical, normalmente acerca do compositor ou da peça que tinha sido mais abordada durante o episódio, apresentada por Lili, o que também eram momentos divertidos e educativos.

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